quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Tarrasque, o Godzilla do AD&D



De todas as criaturas que compõe os diversos tomos que tratam de monstros para o nosso jogo, o Tarrasque sempre foi uma das mais emblemáticas. 

Esta colossal maquina de matar primitiva teve inspiração em vários “mega monstro”, como o já famoso Godzilla. Seu nome vem de um mito francês sobre uma fera chamada “Tarasque”, um tipo de dragão com casco de tartaruga. Por sinal, este casco é bem visível nas primeiras versões do Tarrasque, como um casco de tartaruga, e não apenas como uma carapaça mesclada ao seu corpo.

Arte de DiTerlizzi, para o Monstrous Manual (AD&D 2ed)


De acordo com Frank Mentzer no fórum Dragonsfoot, a criatura foi uma invenção de François Marcela-Froideval, desenvolvida para o Monster Manual II (1983) de Gygax. O conceito original era de que o Tarrasque não dorme, e sim, muda de plano material primário para continuar causando destruição onde quer que vá. Frank ainda aponta que temia que não importasse o quanto fizessem a criatura “durona”, haveria algum grupo de jogadores que se gabariam de tê-la derrotado. A ficha continuou como estava, e se Mentzer a refizesse hoje, ele seria quase invencível e causaria destruição total onde quer que fosse.

Tarrasque do Monster Compendium (não sei qual volume, mas é para 2ed)
 
Não é a intenção desta matéria falar detalhadamente dos poderes do Tarrasque, até porque acredito que podem mudar um pouco entre uma edição e outra.  Contudo, dando uma olhada por cima, sabemos que o Tarrasque é uma fera primitiva, extremamente violenta e com uma regeneração absurda. Sua capacidade para acertar os oponentes é tremenda , e ele dificilmente errará um ataque contra um alvo “normal” (ou seja, que não esteja etéreo ou algo do gênero). Além das mordidas capazes de arrancar pedaços (literalmente), ele pode atacar pisoteando os oponentes. Ele tem uma carapaça muito dura nas costas que pode ate mesmo refletir o taque de Relâmpagos, Misseis Mágicos e todo o tipo de “rios” mágico (como podemos ver nessa cena da HQ de Forgotten Realms de 1990):

 
Para a “felicidade” dos aventureiros, ele é descrito como “Único”. Contudo, diversos livros de AD&D nos mostram que a coisa não é bem assim...

Nesse protótipo de brinquedo de corda, ele não dá muito medo...

Um planeta de Tarrasques

Descrito como uma criatura única, seria um pesadelo dos mais terríveis imaginar um planeta cheio de tarrasques. O livro “Practical Planetology” (1991), do cenário de campanha Spelljammer, sugere que exista um planeta chamado “Falx”, onde várias destas criaturas viveriam pacificamente, comendo pedras. No momento em que fossem conjuradas para fora do planeta, se tornariam agressivas e destrutivas, justificando o comportamento que consta no livro dos monstros.


Tarrasque em aventuras

Uma criatura tão terrível é o tipo de monstro que o mestre usaria apenas como “final de campanha”, creio. Ele tem um potencial tão grande, que não acho o mais acertado usá-lo como “apenas um monstrão para os jogadores munchkin” (contudo, não é bem isso que vemos em alguns módulos). Tentei reunir aqui todos os módulos em que ele aparece, até a 2ed do AD&D:

Tarrasque da aventura
The Apocalyspe Stone
 
“H2: The Mines of Bloodstone” (1986) é a parte 2 de 4 módulos da série “Bloodstone”, recomendado para personagens de nível 16-18. Nela, o Tarrasque faz parte dos Testes de Orcus, e encontramos o pobre bichinho meio narcoléptico preso em uma sala. Assim que os heróis abrem a porta ou entram na sala, ele ataca. Assim que eles saem, ele dorme.

“H4: The Throne of Bloodstone” (1988 ) é a parte final da série Bloodstone, recomendada para níveis 18-100 (!!!). Novamente temos Orcus e seu bichinho hibernante. Desta vez, temos menos explicação ainda (“Um grande monstro com chifres avista vocês e corre em sua direção”). Ele esta em algum canto do lar de Orcus, no Abyss.

“DL 16- The World of Krynn” (1988) traz quatro aventuras distintas. “Dargaard Keep” é a última aventura, recomendada para personagens de nível 9-12. Nela, Lord Soth guarda o Tarrasque como um “bichinho de estimação” em Dargaard Keep.

“How the Mighty are Falling” (1996) é uma aventura para Forgotten Realms, mais especificamente, Netheril (um lugar que existiu em Faerûn a trocentos anos atrás), recomendada para personagens de nível 11-14. Nela, o mago Karsus contrata os aventureiros para conseguir componentes materiais para sua magia mais poderosa (e que viria a destruir Netheril e causar grandes mudanças no cenário). Dentre os ingredientes, estava a glândula pituitária do Tarrasque.

“The Apocalypse Stone” (2000) é uma aventura para personagens de nível 15 que trata justamente do “fim do mundo”. Uma das missões do grupo, caso aceite, é derrotar a “Besta de Chifres”. Este nome é dado (e comentado pelo autor) justamente pela mania que os jogadores têm de ler o livro dos monstros, então ele decide que o Mestre não deve anunciar que a dita besta se trata do Tarrasque. O Mestre deve deixar que o grupo descubra da pior maneira!


Por mais que inventem novos monstros fortões, acho que nunca conseguirão substituir o papel que o Tarrasque tem hoje no imaginário dos jogadores. Existem incontáveis relatos de combos para matar o Tarrasque, e a grande maioria é simples mente ridícula e sem um pingo de bom senso. 

Ele não é uma criatura invencível, mas ler coisas como “ah, usei um item X e fiz tal combo com o mago, e acabei causando 90 pontos de dano por rodada” mostra apenas uma competitividade besta, e uma vontade que certos jogadores têm em “mostrar que pode mais” do que os outros.

Arte de Jeff Butler para o calendário de Forgotten Realms, 1990
 
Enfim, esse é u monstrengo que está tão enraizado no D&D quanto uma Bola de Fogo, uma Espada Vorpal ou um Beholder, e todo mundo deveria ter ao menos uma vez na vida a experiência de enfrenta-lo uma vez com seus personagens (mesmo que no modo “Sala de Perigo”, como fiz com meu grupo).
 

MM II, AD&D 1ed



11 comentários:

  1. Essa postagem me lembrou do meu Tarrasque Mago e outras insanidades juvenis!

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  2. Otimo post cara! Adoro o Tarrasque... e faltou a ilustração da 4ed hein!? (é a q mais curto)

    Sala do perigo eh massa mesmo, mas eu quero usar em campanha... e dos modulos vistos acho que o do Netheril é mais legal, pois a missão nem é matar, mas pegar algo do bixo....

    eu estou pensando em usar ele como a furia da natureza, uma criatura desperta com o abuso da magia no mundo...e os religiosos dirão q é a furia dos deuses ou da propria natureza...

    enfim, muito bom o post... parabens!

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    1. PEP, falta da 3x e da 4, mas é de proposito , pq nao viso revisar materiais dessas edições ;)

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    2. Da 3x nem falei pq aquela carapaça de doce de leite é osso...

      mas aproveitando o embalo, eu fiz uma ficha dele para nosso querido Old Dragon, e baseado no Tarrasque que tá no livrão lindão do AD&D da abril!!!! uhullll

      http://redboxeditora.com.br/wiki/monstros/tarrasque/

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  3. Otimo post Rafael. Curti mesmo... Eu nunca usei o Tarrasque contra os meus jogadores. Mas teve uma época que eu e outro cara mestravamos para o mesmo grupo de AD&D. Um dia que eu não pude mestrar, esse cara deixou eles matarem um Tarrasque. Mas essa história fica para o próximo evento de RPG que a galera se reunir... hehehe

    abraços

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  4. Caramba, acho que nunca usei o tarrasque a não ser como uma lenda de uma criatura adormecida há eras e blá blá blá. No meu cenário, há uma lenda sobre um 'destruidor de mundos' que foi posto para dormir por um grupo épico que fundou um dos reinos mais ricos. Mas dado o teor das minhas campanhas, duvido que rolasse um combate onde os personagens dos jogadores tivessem alguma mínima chance. Até pelo imaginário, iriam com certeza fugir como loucos! Acho que a única campanha que conheço onde mataram o tarrasque no fim da campanha é a do Neme.

    Agora, PLANETA DE TARRASQUES? Caraca! uhauhauha

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  5. O do DiTerlizzi é simplesmente o melhor. Realmente acho que se tivessemos o Godzilla e o King Kong juntos contra ele, até o Dana White ia querer essa luta!

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  6. Post excelente! Gosto dessas edições antigas (até 2ª edição) por isso curti mto o post do "verdadeiro" Tarrasque.

    Tb nunca coloquei o Tarrasque contra meus jogadores, senão ele mataria a todos, pq se colocar ele lutando como deve, não vai ter grupo para vencê-lo não e com certeza eu faria assim.

    Sempre usei como terror psicológico e lenda. E se acordasse, melhor a fazer é fugir rsrs. Mas como uma sala de pergio para correr, seria interessante usá-lo, mas só lá pro nível 18, coisa que meus jogadores nunca alcançaram rsrs

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  7. Usarei o bicho na campanha atual de D&D 5, mas com certeza irei usar o visual do DiTerlizzi, pois embora o da 4th seja bem godizillesco, eu acho que ele eh emblematico de mais para parecer uma copia de algo.... Agora no site da wizards eu vi um artigo sobre monstros q tinham uns exemplos doidos de tarrasques, incluindo um Pyro-tarrasque de 5 cabeças.

    http://archive.wizards.com/default.asp?x=dnd/eo/20051109a

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  8. Usarei o bicho na campanha atual de D&D 5, mas com certeza irei usar o visual do DiTerlizzi, pois embora o da 4th seja bem godizillesco, eu acho que ele eh emblematico de mais para parecer uma copia de algo.... Agora no site da wizards eu vi um artigo sobre monstros q tinham uns exemplos doidos de tarrasques, incluindo um Pyro-tarrasque de 5 cabeças.

    http://archive.wizards.com/default.asp?x=dnd/eo/20051109a

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  9. Salve, salve, Tarrasque! Assisti a um vídeo onde uns loucos simulam embate entre o Kraken vs Tarrasque. Na minha campanha, o grupo terá de enfrentar um Colosso para pegar a flor que nasce da pegada dele, se acertada por um raio, e tem o poder de ressurreição (LDMonstros). Depois do vídeo, achei que seria interessante o Tarrasque "salvar" o grupo, saindo das águas e indo catar o colosso, pois que ambos estavam se enfrentando, algo assim. No meio do embate dos dois, um raio cairia na pegada do Colosso, a flor nasceria e o grupo, em meio a batalha das duas feras, teria que correr para pegar a flor, mas desviando das patadas e pisadas aleatórias de esmagamento puro. Acho que vou levar a ideia pra frente! A porradaria seria numa praia muito, muito distante... lá em Kara-tur. Ideias? :)

    Por fim, a lenda do tarrasque, no mundo "real", também é muito interessante.

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