segunda-feira, 30 de julho de 2012

Sabedorias de Mike Mornard (parte 2)

Mapeando

Mike freqüentou a mesma escola que Robert Kuntz (o jogador de “Robilar”). Rob tinha uma memória eidética, e quando jogava nas dungeons de Gygax, não precisava mapear e nunca se perdia. Algumas vezes ele até corrigia Gygax (que praguejava “Maldição, Kuntz!”).

Sempre achei mapear algo difícil. Na aventura que mestrei online, o Felipe “PEP” fez uma cópia 99% idêntica ao que foi descrito, no passo que quando mapeei como jogador na aventura do Igor Moreno, meu mapa não tinha 20% de semelhança com o original.
 
Acho que por isso, nunca dei muito importância ao mapear, e prefiro ir desenhando para os jogadores à medida que eles descobrem as salas. Mas como tudo no RPG, isso vai do gosto de cada um, não?

 Background dos personagens

Alguém perguntou para o Mike “quanto background você dava ao personagem antigamente?”, e ele respondeu “O legal sobre seu personagem era o que ele fazia no jogo”. Personagens tinham backgrounds tipo “guerreiro” ou, no máximo, “o filho mais jovem de um cavaleiro sem terras”.

As “chamadas” para os jogos também eram curtas, como se fosse o “letreiro” do Star Wars. Gary convidaria para o D&D com algo como “Quer tentar esse novo jogo chamado Greyhawk onde você mata monstros e ganha tesouros?”

Sou da opinião de que devemos deixar espaço para que o personagem cresça. Além disso, gosto de criar fatos e peculiaridades na história dos personagens na medida em que eles vão se desenvolvendo, ao invés de ter um romance pronto sobre sua vida pré-aventura. O Mestre geralmente não tem paciência de ler um romance antes de saber quem é seu personagem, e os jogadores muito menos.


Chainmail e desenvolvimento do jogo

Mike gostava muito do wargame Chainmail. Ele acreditava que as regras boas eram devido a uma máxima de Gygax: “Prefiro ter uma boa regra agora do que uma regra perfeita em um ano”.
Seria a construção do D&D algo feito com esse pensamento? D&D foi o resultado de muito playtest, e as regras eram anunciadas e testadas por Gygax, Arneson e outros que contribuíam. As que o pessoal gostava ficavam, e as que não gostavam saiam. Simples assim. 

É possível que por essa razão, temos tanta diferença entre o OD&D, os básicos e o AD&D: Gygax queria colocar as coisas “na mesa” logo. Acho que foi um pensamento bem acertado. Como sua frase disse, as regras eram boas (apenas não eram perfeitas), e isso deu muito espaço para que os jogadores criassem suas regras da casa (como corre com todo o bom jogo, em minha opinião).



5 comentários:

  1. Mais um excelente post do passado do d&d.

    Mapas podem mesmo causar muita confusão, tendo escalas e descrições nem sempre condizentes. Particularmente gosto de deixar os jogadores desenharem a seu modo o mapa.

    O background é questão polêmica, mas normnalmente é melhor sempre deixar o principal da personalidade e motivação ser desenvolvido durante o jogo.

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  2. Lembro de ter lido em algum lugar que Gigax e cia estavam com pressa de lançar logo o D&D, já que existiam outros movimentos para a publicação do primeiro RPG. Será que isso influenciou essa "máxima" de Gary?

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  3. Paulo, nao estou dizendo q é mentira, mas nunca ouvi essa historia O__o

    De onde vc ouviu?

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  4. Pois é, infelizmente eu possuía vários links com esse tipo de declarações que perdi com a queima do meu HD. Duas coisas que aprendi com o episódio é uma, trabalhar na nuvem, outra, compartilhar rápido esse tipo de achado. Eu tenho a nítida impressão de ter lido numa reportagem ou entrevista algo nesse sentido, não especificando se era sobre o conceito RPG (que não acho ser o caso) mas com relação ao lançamento editorial do primeiro, após a ideia ter se libertado. Talvez fosse melhor não ter trazido a questão a tona, finja que não leu isso rs

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    1. imagina, Paulo!
      Agora no mímino, é algo a se procurar ;)

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