Mais um post resgatado do Vorpal. Esse é de Maio de 2011!
Leiam as outras partes aqui.
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Bom, antes de tudo quero pedir desculpas aos leitores pelo ritmo lento das
postagens. A boa razão por trás disso é que muito trabalho tem sido feito em
prol do Old Dragon, e por isso, o tempo para o blog deu uma reduzida. Mas não
se sintam abandonados, ok?
Gronan é um jogador das antigas. Tão das antigas que participou das três
primeiras campanhas: Blackmoor, Greyhawk e Tékumel. Participando em fóruns tipo
o RPG Net, com humor e certo sarcasmo, Michael Mornard deixou algumas pérolas
de sabedoria, e trago duas hoje para vocês.
Sobre role-playing:
Adicionávamos por conta. Não existiam regras sobre isso porque ninguém
pensava que existia a necessidade; as regras eram para os “malucos” por
mecânicas.
A noite que Ernie (Gygax) convenceu uma chimera a não nos atacar, dependia do
quão bem Ernie falaria, não de alguma regra. Na noite em que meu Balrog de 3º
nível fingia ser um fotógrafo para a revista “Balrog Times”, nosso sucesso
dependia de quão bem conseguiríamos divertir o juiz.
As regras eram escritas com uma atitude “Tudo não proibido é permitido”.
Sobre as regras escritas:
Existem duas maneiras completamente diferentes que as pessoas abordam as
regras de um jogo (RPG ou outros):
1. Qualquer coisa não especificamente proibida é permitida
2.Qualquer coisa não especificamente permitida é proibida
Qual destas você aceita faz uma diferença incrível em como um jogo funciona.
Muitas pessoas parece ter o ponto de vista #2
Existem ainda muitas boas histórias em relação à criação do D&D, mas
deixarei para a próxima. Abraço a todos e muito obrigado pelas visitas!
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terça-feira, 21 de novembro de 2017
segunda-feira, 2 de outubro de 2017
Sabedoria de Mike Mornard (parte 4) - Aventurando-se
Para quem não lembra quem é Mike Mornard, sugiro ler as partes anteriores.
[...]Minha aventura favorita foi como um Mago de 1º nível. Eu havia escutado sobre uma entrada que levava ao 3º nível de Greyhawk [N.T.: neste caso, "Greyhawk" era a dungeon que eles jogavam, e não a cidade ou cenário em si] e fui atrás.
Sozinho.
Com 3 PV e a magia Enfeitiçar Pessoas.
Apenas eu.
Um Mago de 1º nível.
No Castelo Greyhawek
Com Gary Gygax como Mestre.
Alcancei o 2º nível no fim da noite com XP suficiente para faltar apenas 1 para o 3º nivel. Eu corri, me escondi, joguei lanternas (fogo, olho e um lugar para segurar em um pacote conveniente!), eu me escondi, e me escondi mais um pouco.Então, tenho ondas de "porra nenhuma de simpatia" por pessoas que reclamam que é chato jogar com Magos de nível baixo.
[...]Minha aventura favorita foi como um Mago de 1º nível. Eu havia escutado sobre uma entrada que levava ao 3º nível de Greyhawk [N.T.: neste caso, "Greyhawk" era a dungeon que eles jogavam, e não a cidade ou cenário em si] e fui atrás.
Sozinho.
Com 3 PV e a magia Enfeitiçar Pessoas.
Apenas eu.
Um Mago de 1º nível.
No Castelo Greyhawek
Com Gary Gygax como Mestre.
Alcancei o 2º nível no fim da noite com XP suficiente para faltar apenas 1 para o 3º nivel. Eu corri, me escondi, joguei lanternas (fogo, olho e um lugar para segurar em um pacote conveniente!), eu me escondi, e me escondi mais um pouco.Então, tenho ondas de "porra nenhuma de simpatia" por pessoas que reclamam que é chato jogar com Magos de nível baixo.
quinta-feira, 9 de maio de 2013
Sabedorias de Mike Mornard (parte 3) - Aumento dos PVs
Vamos dar uma olhadinha em algumas pérolas de sabedoria de Mike Mornard. Realmente, muito do que ele diz reflete o que penso sobre "como gosto de jogar RPG".
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"Sobre Pontos de Vida:
Por que o salto nos pontos de vida (história longa, me acompanhe):
Antigamente, antes do D&D (chamavamos de "Greyhawk"), existia um jogo simples e divertido, chamado Chainmail.Logo após eu ter entrado no grupo (1971) existiam batalhas medievais com miniaturas em Minneapolis. Com suas próprias palavras, Dave Arneson disse que não gostva de miniaturas medievais, então ele colocou Godzilla como um dragão.
Então, todo mundo disse "Ei, vamos fazer regras para dragões". E já que Tolkien estava desfrutando sua primeira popularidade em massa no mercado, todo mundo pensou "Ei, vamos fazer orcs e goblins e elfos e Ents e Balrogs e, e, e..."
Bom, mesmo que estes jogos tenham sido publicados [N.T: acho que ele quis dizer aspectos do jogo -os goblins, elfos, etc], por favor lembrem-se de que a atitude que prevalecia era que isto eram nossas "house rules". Sim, foram eventualmente publicadas e vendidas, mas a atitude de usar idéias de Tolkien, Moorcock, etc era basicamente a noção de fazer "regras caseiras para nos deixar jogar com coisas legais".
Enfim...
A turma pensou "Ei, de forma alguma Conan ou Aragorn ou Elric ou Lancelot ou (etc) é apenas um cara normal no campo de batalha".
Então -lembrem-se, ainda estamos falando das regras de miniaturas do Chainmail- o conceito surgiu da miniatura do "Hero". Em combate, um Hero lutava como quatro homens; jogava quatro vezes para acertar, e aquela figura tinha que sofrer quatro "mortes" contra ela em um único turno para ser efetivamente "morta". Tinha também um personagem entitulado como "Super Hero", que valia oito homens em combate.
Lembrem-se, o sistema de combate original do D&D era derivado do Chainmail.
Tenho certeza que já viram onde isso vai levar.
Quando começamos a jogar Greyhawk e Blackmoor, o pensamento era "como um Hero se torna um Hero?". Bem, obviamente, você começa como um único homem, então eventualmente vale dois homens, então três...
E este, Pequeno Gafanhoto, é o motivo dos pontos de vida aumentarem drasticamente no D&D."
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"Sobre Pontos de Vida:
Por que o salto nos pontos de vida (história longa, me acompanhe):
Antigamente, antes do D&D (chamavamos de "Greyhawk"), existia um jogo simples e divertido, chamado Chainmail.Logo após eu ter entrado no grupo (1971) existiam batalhas medievais com miniaturas em Minneapolis. Com suas próprias palavras, Dave Arneson disse que não gostva de miniaturas medievais, então ele colocou Godzilla como um dragão.
Então, todo mundo disse "Ei, vamos fazer regras para dragões". E já que Tolkien estava desfrutando sua primeira popularidade em massa no mercado, todo mundo pensou "Ei, vamos fazer orcs e goblins e elfos e Ents e Balrogs e, e, e..."
Bom, mesmo que estes jogos tenham sido publicados [N.T: acho que ele quis dizer aspectos do jogo -os goblins, elfos, etc], por favor lembrem-se de que a atitude que prevalecia era que isto eram nossas "house rules". Sim, foram eventualmente publicadas e vendidas, mas a atitude de usar idéias de Tolkien, Moorcock, etc era basicamente a noção de fazer "regras caseiras para nos deixar jogar com coisas legais".
Enfim...
A turma pensou "Ei, de forma alguma Conan ou Aragorn ou Elric ou Lancelot ou (etc) é apenas um cara normal no campo de batalha".
Então -lembrem-se, ainda estamos falando das regras de miniaturas do Chainmail- o conceito surgiu da miniatura do "Hero". Em combate, um Hero lutava como quatro homens; jogava quatro vezes para acertar, e aquela figura tinha que sofrer quatro "mortes" contra ela em um único turno para ser efetivamente "morta". Tinha também um personagem entitulado como "Super Hero", que valia oito homens em combate.
Lembrem-se, o sistema de combate original do D&D era derivado do Chainmail.
Tenho certeza que já viram onde isso vai levar.
Quando começamos a jogar Greyhawk e Blackmoor, o pensamento era "como um Hero se torna um Hero?". Bem, obviamente, você começa como um único homem, então eventualmente vale dois homens, então três...
E este, Pequeno Gafanhoto, é o motivo dos pontos de vida aumentarem drasticamente no D&D."
segunda-feira, 30 de julho de 2012
Sabedorias de Mike Mornard (parte 2)
Mapeando
Sempre achei mapear algo difícil. Na aventura que mestrei online, o Felipe “PEP” fez uma cópia 99% idêntica ao que foi descrito, no passo que quando mapeei como jogador na aventura do Igor Moreno, meu mapa não tinha 20% de semelhança com o original.
Background dos personagens
As “chamadas” para os jogos também eram curtas, como se fosse o “letreiro” do Star Wars. Gary convidaria para o D&D com algo como “Quer tentar esse novo jogo chamado Greyhawk onde você mata monstros e ganha tesouros?”
Sou da opinião de que devemos deixar espaço para que o personagem cresça. Além disso, gosto de criar fatos e peculiaridades na história dos personagens na medida em que eles vão se desenvolvendo, ao invés de ter um romance pronto sobre sua vida pré-aventura. O Mestre geralmente não tem paciência de ler um romance antes de saber quem é seu personagem, e os jogadores muito menos.
Chainmail e desenvolvimento do jogo
Mike gostava muito do wargame Chainmail. Ele acreditava que as regras boas eram devido a uma máxima de Gygax: “Prefiro ter uma boa regra agora do que uma regra perfeita em um ano”.
É possível que por essa razão, temos tanta diferença entre o OD&D, os básicos e o AD&D: Gygax queria colocar as coisas “na mesa” logo. Acho que foi um pensamento bem acertado. Como sua frase disse, as regras eram boas (apenas não eram perfeitas), e isso deu muito espaço para que os jogadores criassem suas regras da casa (como corre com todo o bom jogo, em minha opinião).
Mike
freqüentou a mesma escola que Robert Kuntz (o jogador de “Robilar”). Rob tinha
uma memória eidética, e quando jogava nas dungeons de Gygax, não precisava
mapear e nunca se perdia. Algumas vezes ele até corrigia Gygax (que praguejava “Maldição,
Kuntz!”).
Sempre achei mapear algo difícil. Na aventura que mestrei online, o Felipe “PEP” fez uma cópia 99% idêntica ao que foi descrito, no passo que quando mapeei como jogador na aventura do Igor Moreno, meu mapa não tinha 20% de semelhança com o original.
Acho
que por isso, nunca dei muito importância ao mapear, e prefiro ir desenhando
para os jogadores à medida que eles descobrem as salas. Mas como tudo no RPG,
isso vai do gosto de cada um, não?
Background dos personagens
Alguém perguntou para o Mike “quanto
background você dava ao personagem antigamente?”, e ele respondeu “O legal
sobre seu personagem era o que ele fazia no jogo”. Personagens tinham
backgrounds tipo “guerreiro” ou, no máximo, “o filho mais jovem de um cavaleiro
sem terras”.
As “chamadas” para os jogos também eram curtas, como se fosse o “letreiro” do Star Wars. Gary convidaria para o D&D com algo como “Quer tentar esse novo jogo chamado Greyhawk onde você mata monstros e ganha tesouros?”
Sou da opinião de que devemos deixar espaço para que o personagem cresça. Além disso, gosto de criar fatos e peculiaridades na história dos personagens na medida em que eles vão se desenvolvendo, ao invés de ter um romance pronto sobre sua vida pré-aventura. O Mestre geralmente não tem paciência de ler um romance antes de saber quem é seu personagem, e os jogadores muito menos.
Chainmail e desenvolvimento do jogo
Mike gostava muito do wargame Chainmail. Ele acreditava que as regras boas eram devido a uma máxima de Gygax: “Prefiro ter uma boa regra agora do que uma regra perfeita em um ano”.
Seria a
construção do D&D algo feito com esse pensamento? D&D foi o resultado
de muito playtest, e as regras eram anunciadas e testadas por Gygax, Arneson e
outros que contribuíam. As que o pessoal gostava ficavam, e as que não gostavam
saiam. Simples assim.
É possível que por essa razão, temos tanta diferença entre o OD&D, os básicos e o AD&D: Gygax queria colocar as coisas “na mesa” logo. Acho que foi um pensamento bem acertado. Como sua frase disse, as regras eram boas (apenas não eram perfeitas), e isso deu muito espaço para que os jogadores criassem suas regras da casa (como corre com todo o bom jogo, em minha opinião).
domingo, 22 de julho de 2012
Sabedorias de Mike Mornard (parte 1)
Já comentei uma vez sobre o blog "Blog of Holding". Dentre suas várias matérias interessantes, gosto particularmente de uma série entitulada "Playing D&D with Mike Mornard".
Pra quem não sabe, Mike Mornard participou das mesas de Gary Gygax (em 71, ou seja, na época embrionária do D&D), Dave Arneson e Phil Baker (conhecido também como M.A.R Baker, autor de Empire of the Petal Throne), tornando-o uma possível fonte rica na histórica do RPG.
Paul (o dono do Blog of Holding) relata várias experiências que teve como jogador na mesa de Mornard, e gostaria de trazer algumas delas pra cá (já com a devida permissão do autor). Vou colocá-las na forma de tópicos, para facilitar a leitura, mas convido os interessados a lerem as histórias por completo em seu blog.
------------------------------------------------------
- Como já sabemos, era comum muitas pessoas jogarem nas mesas de Gygax. Mike tinha um personagem chamado "Lessnard", um mago que aventurou-se sozinho (pc de nível 1!) nas dungeons do castelo Greyhawk (isso por ter perdido muitos hirelings, o que tornou o ato de contratar novos algo quase impossível). O fato é que o mais comum para personagens de nivel mais baixo aventurarem-se em grupos, enquanto pcs de niveis mais altos corriqueirmente aventuravam-se sozinhos (o que torna a sobrevivência de Lessnard algo mais raro ainda).
-No início, Gary não usava mapas ou miniaturas (isso era mais atribuido a Arneson). Eles jogavam no seu escritório, e ele dispunha as gavetas do arquivo de forma que os jogadores apenas ouvissem sua voz, sem realmente vê-o. o DM era apenas uma voz sem corpo.
-Conversa fiada era desencorajada nas partidas; isso geralmente significava a morte para o personagem. Existia um clima de "tensão" no jogo, oriunda do fato de não ver o Mestre e da mortalidade de não prestar atenção no que ele explicava. Os jogadores só falavam algo que acrescentasse ao jogo, deixando o papel de porta voz ao "caller" (assim como tinha o mapeador, existia um jogador responsável por reportar ao DM as decisões do grupo. Este era o "caller").
--------------------------
Em breve postarei as outras partes deste verdadeiro "mergulho" na história de nosso querido jogo. Não é sempre que podemos ler relatos do (até então) único jogador que participou das campanhas de Greyhawk, Blackmoor, e Empire of the Petal Throne com seus respectivos criadores!
Até a próxima
Pra quem não sabe, Mike Mornard participou das mesas de Gary Gygax (em 71, ou seja, na época embrionária do D&D), Dave Arneson e Phil Baker (conhecido também como M.A.R Baker, autor de Empire of the Petal Throne), tornando-o uma possível fonte rica na histórica do RPG.
Paul (o dono do Blog of Holding) relata várias experiências que teve como jogador na mesa de Mornard, e gostaria de trazer algumas delas pra cá (já com a devida permissão do autor). Vou colocá-las na forma de tópicos, para facilitar a leitura, mas convido os interessados a lerem as histórias por completo em seu blog.
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- Como já sabemos, era comum muitas pessoas jogarem nas mesas de Gygax. Mike tinha um personagem chamado "Lessnard", um mago que aventurou-se sozinho (pc de nível 1!) nas dungeons do castelo Greyhawk (isso por ter perdido muitos hirelings, o que tornou o ato de contratar novos algo quase impossível). O fato é que o mais comum para personagens de nivel mais baixo aventurarem-se em grupos, enquanto pcs de niveis mais altos corriqueirmente aventuravam-se sozinhos (o que torna a sobrevivência de Lessnard algo mais raro ainda).
-No início, Gary não usava mapas ou miniaturas (isso era mais atribuido a Arneson). Eles jogavam no seu escritório, e ele dispunha as gavetas do arquivo de forma que os jogadores apenas ouvissem sua voz, sem realmente vê-o. o DM era apenas uma voz sem corpo.
-Conversa fiada era desencorajada nas partidas; isso geralmente significava a morte para o personagem. Existia um clima de "tensão" no jogo, oriunda do fato de não ver o Mestre e da mortalidade de não prestar atenção no que ele explicava. Os jogadores só falavam algo que acrescentasse ao jogo, deixando o papel de porta voz ao "caller" (assim como tinha o mapeador, existia um jogador responsável por reportar ao DM as decisões do grupo. Este era o "caller").
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Em breve postarei as outras partes deste verdadeiro "mergulho" na história de nosso querido jogo. Não é sempre que podemos ler relatos do (até então) único jogador que participou das campanhas de Greyhawk, Blackmoor, e Empire of the Petal Throne com seus respectivos criadores!
Até a próxima
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