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sábado, 19 de dezembro de 2015

Rob Kuntz e a origem do Remorhaz

Certo dia, Gary Gygax chamou Rob Kuntz para mostrar uma arte feira por Erol Otus. Era a figura de um monstro tão bacana que Gary pediu a Rob para criar um nome e uma ficha para a criatura.

Seus poderes de fogo foram inspirados pelo padrão vermelho de suas costas, enquanto a aparência feroz sugeriu o ataque de engolir, e sua aparência solitária transmitia a sensação de um predador selvagem. Foi um caso raro de processo inverso, com a ilustração feita antes da ideia da criatura, mas como podemos ver, tornou o monstro icônico a ponto de aparecer nas mais diversas edições do jogo.

Uma pena que Rob não foi creditado na revista (Dragon #2, de 1976), mas com certeza, é um trabalho a ser lembrado (e temido!)

(As informações desta postagem foram cedidas gentilmente pelo próprio Rob Kuntz. Visitem seu novo blog!)

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Monstros da Velha Guarda

Ok, todos sabem (ou pelo menos, deveriam!) que certos monstros e criaturas do jogo foram inspiradas em lendas e fábulas antigas, na maioria européias (trolls, gremlins, elfos, etc). Seja por nome, aparência ou atitude, vários monstros foram assim criados para o Dungeon & Dragons.

Mas vamos falar de alguns monstros diferentes hoje, monstros criados pela “velha guarda” do D&D.

WEMIC
 


Essa criatura “meio centauro-meio leão” apareceu pela primeira vez num produto chamado “Monster Cards Set 3”, para AD&D 1ed em 1982, e logo em seguida no Monster Manual II do AD&D 1ed, em 1983. Seu criador foi David C. Sutherland, que além de game designer é conhecido por diversas ilustrações feitas para o jogo, incluindo a capa mais famosa do Dungeon Masters Guide (a de 79).


HOOK HORROR

 

O monstro gancho é um dos meus favoritos. Além dos livros, podemos vê-los em um dos episódios de Caverna do Dragão (pra quem tem Ulbra TV, passa todo o domingo pela manhã).

Sua primeira aparição foi na revista White Dwarf número 12 (1979) na coluna “Fiend Factory”. Seu criador foi Ian Livingstone, o “cara do livro jogo”. Mais tarde (1981), ele seria mais um dos monstros que se tornariam famosos ao serem introduzidos no Fiend Folio.

BEHOLDER

 

Nosso estimado monstro voador é um dos poucos monstros a aparecerem em TODAS as edições do jogo. A idéia surgiu inicialmente de Terry Kuntz, irmão de Robert Kuntz e jogador por trás do guerreiro “Terik”, companheiro de aventureiros como “Robilar” (Rob Kuntz) e “Tenser” (Ernie Gygax, filho do Gary). Depois de lançada a idéia, Gary Gygax trabalhou-a e a desenvolveu no monstrinho simpático que aprendemos a amar e temer.


BÔNUS!

Uma trívia rapidinha:


A “Sword of Kas” , cuja primeira aparição foi no livro Eldritch Wizardry, (1976), era uma espada que pertencia a um dos personagens de Tim Kask, o primeiro funcionário oficial da TSR (editor). Ele a descreve como “just a really good sword” (‘apenas uma espada muito boa’) no fórum Dragonsfoot, e a inserção de pequenas menções de suas campanhas era uma maneira própria de “alcançar um tipo de imortalidade”.

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Ok pessoal, continuando com os monstros “crássicos” : Slaad, Death Knight e Githyanki.

Charles Stross criou e publicou estes monstros entre as décadas de 70 e 80 na revista White Dwarf, para depois serem publicadas “oficialmente” no Fiend Folio de 81.

Slaad



  
A semelhança com um dos temas de Lovecraft (seres devotados ao caos, com um tipo de forma anfíbia/aquática) surgiu ao acaso: Stross só iria ler algum conto de Lovecraft anos mais tarde. Estes seres extra-planares vindos do Limbo me enganaram por muitos anos, pois sempre achei que eles vinham de algum pântano, brejo, ou qualquer lugar meio aquático (e eu detestava aventuras marinhas, sabe-se lá por que). Assim como as edições do jogo foram mudando, as cores que representam o poder das castas foram sendo acrescentadas. Independente das cores, quem manda nos slaadi são os Slaad Lords. Agora, por falar em mudanças e acréscimos, existe uma coisa que li, creio que num livro de Planescape, que eu preferia não ficar sabendo (e manter o mistério criado por Charles Stross): na época de acasalamento, os slaadi se reúnem num local “sagrado” e acasalam uns com os outros, pois são hermafroditas. Eles “fertilizam o saco de ovos internos uns dos outros”. Cara….eu podia ter ficado sem essa (e talvez vocês também).


Death Knight

 

Bom, não achei muito sobre a origem do death knight, mas de uma forma ou de outra, eles sempre causam impacto nas campanhas que surgem. Talvez o mais famoso seja Lord Soth, de Dragonlance, mas eu já falei sobre isso na matéria sobre o Fiend Folio (veja com mais detalhes aqui). O que me chama atenção na história do Lord Soth é que não há um demônio que o encante/perverta, ou algo assim, e que venha a lhe transformar num death knight. De certa forma, a esposa dele rogou um tipo de praga por seus atos maléficos que culminaram em sua transformação em um cavaleiro morto-vivo. Acaba sendo um tipo de maldição rogada, e não de corrupção. Claro, isso que estou falando é a história até a 2ed do AD&D. Sabem como o pessoal gosta de inventar coisa depois, espremendo a última gota da casca da fruta ($$$).


Githyanki

Aprendi a gostar dessa raça com o tempo, e é engraçado isto, visto o potencial que uma raça de seres militares extra-planares pode ter numa campanha. Talvez fosse o cabelinho de sorvete italiano, não sei…



A idéia veio do livro de George R. R. Martin “Dying of the Light” (1977). No livro de Martin, os Githyanki possuem fortes poderes psíquicos, e foram usados por outra raça alienígena para lutar contra a humanidade. Ao contrário da raça que conhecemos no D&D, estes githyanki mal apresentavam consciência. George Martin só ficou sabendo do uso do nome em 2000!



BÔNUS!

Fiéis leitores, aqui vai mais um bônus, só pra quem tem paciência de acompanhar meus posts:

O nome do Aparelho [Apparatus] de Kwalish vem do primeiro personagem mago criado por Tim Kask, “Kwalish”

terça-feira, 8 de outubro de 2013

A origem da Pantera Deslocadora e do Monstro Ferrugem

Pesquisando mais sobre a origem de alguns elementos do D&D, me deparei com uma postagem interessante do blog "The Mule Abides". Vou copiar e colar o que escrevi no meu material de pesquisa:

Rust Monster (Monstro Ferrugem):
-Quanto Gygax jogava o suplemento de fantasia do livro Chainmail, encontrar figuras/miniaturas para monstros era uma prioridade. Como o mercado para tais miniaturas era praticamente inexistente, ele comprou um saco de monstros em uma loja de produtos baratos [Nota: tipo uma loja de 1,99]. Após comprá-los, várias pessoas se envolveram em sugerir o que aqueles monstros poderiam ser. Eventualmente ele criou nomes e atributos para todos.


-O fato de ser uma figura pouco assustadora (“uma lagosta com uma hélice na cauda”) deu a Gygax a ideia de fazer algo perigoso.

Até no Futurama


Displacer Beast (Pantera Deslocadora):
-Inspirada na criatura Couerl ,do conto “Black Destroyer”, de A.E. van Voght (1939). Apesar da capa  da revista “Astounding” (julho de 1939) ter uma das primeiras imagens da criatura, ela pouco se parecia com a descrição. A versão do Livro dos Monstros do AD&D 1ed é muito mais fiel, e talvez, inspirada na revista da Marvel “Worlds Unknown” (fevereiro de 1973), que por sua vez apresenta um retrato mais fiel.



quinta-feira, 5 de julho de 2012

Entendendo melhor a história do D&D

Mais um da série "posts perdidos" (leia mais sobre isso na introdução do post "Grupos de Expedição"). Como amante da história passada do D&D, acho essa postagem importante, afinal, sembre é bom rever os básicos, não?

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(original em 5 de abril de 2011)

O que você responderia se eu perguntasse “de onde surgiu o D&D”?
Muitos responderiam que ele surgiu do Chainmail, um dos primeiros wargames de fantasia medieval (ou seja, um wargame que fugia das “batalhas reais” e acrescentava elementos da literatura fantástica, presente em Conan ou O Senhor dos Anéis).
Bom, a história precisa ser explicada um pouquinho melhor.
                              

   CHAINMAIL

 Chainmail foi criado por Gary Gygax e Jeff Perren e publicado em 1971, primeiramente pela Guidon Games e logo após pela recém fundada TSR (com o nome “Tactical Studies Rules”). O jogo foi um sucesso, principalmente pelo suplemento de pouco mais de 10 páginas sobre fantasia medieval. Aqui já podiamos ver elementos muito familiares nos dias de hoje, como “lightning bolt”, “conjure elemental” e vários monstros.


DAVE ARNESON

Dave Arneson (co-criador do D&D) sempre gostou de interpretar em seus jogos, dando missões mais elaboradas aos jogadores de seus wargames (o “referee”, ou seja, o juiz dos jogos de guerra foi a inspiração para criar o Dungeon Master). A prática de “apimentar” os wargames era comun tanto para Gygax quanto para Arneson. Por exemplo, certa vez Gary disse para um grupo de jogadores, enquanto arbitrava uma partida , que o grupo deles tinha um mago que poderia lançar bolas de fogo, etc. Dave teve um personagem “destaque” (como um herói, uma peça que valia por vários soldados*) que era um druida com um “phaser” de Star Trek.

Arneson inventou um jogo simples no verão de 1970 em que miniaturas medievais exploravam as masmorras de um castelo repleto de monstros fantásticos. De início, um sistema simples de “pedra-papel-tesoura” fora usado, mas logo após adaptaria as regras de um jogo de batalha naval (gênero que também agradava Gygax), e assim nascia a “Classe de Armadura”.
Buscando inspiração e insatisfeito com as regras do Chainmail, Dave Arneson fez uma maratona de dois dias assistindo filmes de monstros, lendo vários livros do Conan e se empanturrando de pipoca. Ele diz: “Naquela época, eu estava cansado das minhas campanhas do “Nappy” [N.T. apelido para “Napoleão”] e suas regras rígidas e estava me rebelando contra isso”.

Através de adaptações das regras do Chainmail e as anotações resultantes dessa maratona, Dave surgiu com o jogo “Blackmoor”, que para os padrões de hoje, seria mais próximo de um “cenário de campanha” do que um jogo propriamente dito.

Na partida seguinte dos jogos Napoleônicos, Dave colocou um castelo em jogo. Os jogadores, de inicio, acharam que era uma campanha na Polônia ou algo assim. Dave disse que era o castelo em ruínas do Baronado de Blackmoor, e que eles teriam que invadir suas masmorras. Os jogadores a principio não ficaram muito entusiasmados, acostumados a invadir castelos e não a ficar perambulando por ai. Mas eles perambularam e perambularam.

Na verdade, David Wesely (um dos integrantes do grupo de jogos de Arneson) inventou um jogo chamado “Braunstein”, que enfatizava a interpretação na época das guerras de Napoleão. Blackmoor começou como um jogo de Braunstein, mas logo a parte “dungeon” fora incorporada.
Em 1972, Arneson apresentou seu Blackmoor para Gygax, que gostou da idéia. Assim, a idéia fora trabalhada (ver abaixo: “Gygax VS Arneson) no que hoje conhecemos como Dungeons & Dragons.

*esta é a origem do conceito de níveis: um guerreiro de nível 3 valeria por 3 guerreiros, e assim em diante.
GYGAX VS ARNESON

A grande briga entre Gygax e Arneson, de certo forma, está no quanto o Chainmail influenciou na criação do D&D. Arneson tem crédito de “co-autor” do D&D, mas ele diz que o Chainmail (obra de Gygax) influenciou muito pouco na criação do D&D.
Gygax, por outro lado, não só fala que Chainmail foi a maior inspiração para o D&D, comodiz que Arneson deu várias “sementes” de  idéia, e que a parte de criação foi mais de seu crédito.
Em 1979, Arneson entrou em processo contra a TSR pelos direitos dos produtos da marca “AD&D”, alegando que era um derivado do D&D. Para ele, não era interessante associar o D&D com o Chainmail, uma criação de Gygax. Gygax, por outro lado, dizia que o AD&D era diferente o suficiente para ser considerado outro jogo. O resultado disso não se sabe, mas dizem que a Wizards of the Coast acertou uma quantidade não divulgada com Dave Arneson (na época da compra da TSR, claro), e o caso foi encerrado.


Concluindo:
Como podem ver, o assunto é um pouco delicado e existem versões diferentes da criação efetiva do jogo.
Gygax diz que o D&D veio do Chainmail, criação dele. Arneson diz que veio mais de suas idéias. Gygax diz que Arneson contribuiu mais com idéias do que com a elaboração efetiva do jogo. Arneson diz que o D&D usou mais coisas do Braunstein e de suas campanhas…

Minha opinião é que ambos contribuíram para o jogo que tanto amamos, e é isso que importa. Como Gygax continuou na TSR por mais tempo que Arneson, acabou contribuindo mais para o D&D. Sistemas a parte, ambos sabiam prender a atenção dos jogadores, e acho que isso é o mais importante em ser um Dungeon Master.