Toda a conversa sobre magos no grupo
Appendix N e OSR Brasil me fez lembrar de um texto que traduzi anos atrás. Procurei e procurei, mas nada de encontrar. Daí fui olhar no arquivo de resgate histórico que o
Igor Sartorato fez do blog Vorpal, e lá estava!
Já faço um adendo, ok? Antes de dizer que em tal livro Gandalf fazia isso e aquilo, pesquisem bem as datas dos livros e do artigo!
Com vocês, na íntegra, resgato de 8 anos na escuridão da internet, "Gandalf era um mago de 5º nível"
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PARTE 1
Salve, pessoal!
Hoje vou trazer uma matéria muito interessante vinda da remota edição #5 da
The Dragon (que depois passaria a ser conhecida como Dragon Magazine), chamada
“Gandalf Was Only a Fifht Level Magic-User”, por Bill Seligman, em 1977.
Bom, quero antes de tudo deixar bem claro que meu intuito por trás disso não
é desvalorizar a obra de Tolkien ou algo assim, mas mostrar que um mago pode
ser impressionante no 5º nível, ao contrário do que muitos pensam. Claro, eu
também acredito que não era essa a intenção do autor ao escrever, visto que a
época era outra e o pensamento dos RPGístas também era outro. Não entrando no
mérito de quem se inspirou em quem (Gygax, Tolkien, Fábulas, etc), vamos
começar então:
Gandalf era apenas um mago de 5º nível, por Bill Seligman (Thr Dragon, março
de 1977)
O que ?? Eu ouço seu grito. Impossível, você grita; Gandalf era pelo menos
de nível 30, 40 até mesmo 50!! Afinal, ela era um Istari, e viveu pelo menos
2000 anos! Oh, verdade?, eu respondo. Vamos analisar toda a mágica que ele já
fez, e ver o que tinha de tão alto nível nele.
Primeiro, vamos passar pelo Hobbit. EM ordem as magias de Gandalf foram:
1) Fazer anéis de fumaça coloridos e extravagantes e fazê-los voar pela
sala. Isso não é mais que uma variação de Pyrotechnics [Pirotecnia], com talvez
Phantasmal Force [Força Fantasmagórica] misturada.
2) Enganar os trolls com Ventriloquism [Ventriloquismo], uma magia de
primeiro nível.
3) Lightning Bolt [Relâmpago] de seu cajado para matar os orcs que haviam
capturado os Anões e Bilbo. Magia de 3º nível.
4)Pyrotechnics para confundir os orcs, para resgatar os Anões e Bilbo. Magia
de 2º nível.
5) Lighting [Luz] o caminho para os Anões e Bilbo enquanto dentro das
cavernas, com um brilho de seu cajado. Magia de 2º nível.

6) Fazer pinhas pegarem fogo e jogá-las nos Wargs de cima de uma árvore. Uma
variação de Fireball [Bola de Fogo], Pyrotechnics e até mesmo a magia de Druida
Produce Flame [Produzir Chama]. Não é uma magia mencionada especificamente na
lista do D&D, mas mesmo assim não é tão poderosa.
7) Arremessar Sauron do Dol Gul-dur. Ele fez isso em conjunto com o White
Council, então não conta como esforço de um indivíduo. (Além do mais, como
mostrarei mais tarde, Sauron não era, ou não muito mais, do que nível 7 ou 8.)
8 ) Uma combinação de Lightning Bolt ou Light de seu cajado para chamar a
atenção do lado “bom” da Battle of Five Armies para permanecerem unidos, como
queira. Dependendo do sistema de magia que você estiver usando, você pode mudar
esses números em um ou dois níveis, mas até agora Gandalf não mostrou habilidades acima do 5º nível.
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A matéria continua pessoal! Bill analisa os outros livros da série,
comparando as magias de Gandalf com o sistema de D&D. Antes que me
apedrejem ou algo assim, quero fazer algumas colocações:
1-É claro que LOTR não usaria o sistema de D&D,
pois este foi criado para que a magia fosse algo de maior acesso.
2-Não quero desfazer de Gandalf, Tolkien, ou
qualquer coisa semelhante : “estou traduzindo um artigo!
3-Gandalf não precisaria usar todo seu poder, a
toda hora. Nada o impediria de usar apenas magias de baixo nível, e isso não
eliminaria a possibilidade dele ter muitas “cartas nas mangas”
4-Enfim, como também já disse
antes, acho legal a comparação não pelo certo nível de chacota, mas sim para
que os jogadores e mestres vejam como um pouco de imaginação consegue
transformar magias simples em algo muito mais espetacular!
PARTE 2
Cá estamos de volta, com a segunda parte dessa matéria originalmente
publicada na revista The Dragon de 1977. Confesso, correndo o risco de perder
pontos de afinidade nerd, que nunca li a trilogia do Senhor dos Anéis, então
não tenho muito o que discutir. De maneira geral, concordo com a maioria dos
argumentos apresentados aqui, apesar de alguns forçarem as regras ao máximo,
para satisfazer o ponto de vista do autor. Vamos ao próximo livro, a Sociedade
do Anel!
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Vamos para a
Sociedade do Anel:
1) Seus fogos de artifícios na festa do Bilbo:
mais uma vez, assumindo que eram magia, o que não precisa ser verdade, seria
uma variação de Phantasmal Force, Pyrotechnics, etc. Nada além do segundo
nível.
2) Lightning Bolt na batalha contra o Nazgul.
Terceiro level. (tudo bem, se vocês desejam que o domar do Shadow-fax seja
mágico, esta bem. Depois do episódio nos portões de Moria, não existe razão
para que Gandalf não pudesse falar Eqüino, mas uma magia “Charm Animal”
[Encantar Animais] seria mais fácil que um Charm Person [Encantar Pessoa] de
qualquer maneira)
3) Adicionar guerreiros à espuma do rio que
sobrepujou os Nazgul. Phantasmal Force, talvez uma variante de Monster Summoning
I (já que não temos nenhuma dica quanto ao nível destes guerreiros).
4) Acender um fogo no meio de uma tempestade
de neve. Um toque de Fireball [Bola de Fogo] ou até Produce Flame. (Notem aqui
que Gandalf revela que até mesmo essa simples magia pode ser detectada de uma
distância tão longa. Isso mostra a “fraqueza” mágica da Terra Média de Tolkien.
“Ah há”, você diz, “já vi onde você está errado!”. Espere um pouco, voltarei a
esse ponto mais tarde. Continuando:
5) As chamas quando lutando contra os Wargs.
Uma variante de Fireball, 3º nível.
6) Lightning no caminho de Moria. 1º nível
7) Lutar contra o Balrog. Na sua descrição da
batalha, me parece que ele usou somente, ou na maioria, Lightning Bolts, com
talvez algumas Fireballs se você for generoso. Ainda assim, apenas terceiro
nível. [N.T.
bom, se ele lançou mais de uma magia de 3 nivel, ele já não é
mais um mago de 5º nível, né? A menos que tenha algum Ring of Wizardry, ou algo
do gênero]
8) Ser ressuscitado. Mas isso não é feito por
Gandalf, ele foi “mandado de volta”, e portanto não tem nada a ver com o fato
em si.

Nas
Duas Torres:
1) A combustão em chamas da flecha de Legolas.
Uma Fireball suave, talvez, até mesmo uma forma incomum de Protection from
Normal Missiles [Proteção contra Projéteis].
2) O despertar de Theoden. Uma combinação de
Lightning, Light e Darkness. Nada além do 3º nível.
3) A quebra do cajado de Saruman. Isso pode
ter sido o resultado natural de um Istari dizendo aquilo para outro, um leve
efeito de Charm Person, ou algo nessa natureza. Nada espetacular, de qualquer
maneira, para ir além do terceirto nível de magia.
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Na terceira e última parte, Bill Seligman fala do Retorno do Rei e faz uma
conclusão, ainda falando sobre a batalha contra o Balrog e lançando uma questão
interessante.
Fiquem ligados!
PARTE 3
Bom, cá estou com a parte final da matéria. Aconselho aos interessados a
lerem os comentários das partes anteriores, pois muitas coisa foi explicada lá.
Para concluir, além de explicar novamente que minha intenção era mostrar não
apenas este artigo de mais de 30 anos atrás, mas também para que percebamos o
quanto a narração é importante. Vejam como algumas magias normalmente
negligenciadas pelos jogadores e mestres podem mostrar-se de forma grandiosa e
impressionante!
Outro detalhe, que apareceu muitas vezes nos comentários: por favor, prestem
atenção na data do artigo! Se ele foi publicado em março, no MÍNIMO ele foi
escrito em fevereiro de 1977. Os seguintes livros NÃO haviam sido publicados:
-Basic D&D (ou seja, 5º nível não era o máximo que se podia alcançar)
-AD&D 1st edition (muitas magias foram adicionadas nessa edição. O autor
teria que rever muito do que foi escrito, caso o 1st edition já tivesse sido
lançado na época)
-The Silmarillion e Contos Inacabados… (estes dois digo apenas por
referencia, caso alguma informação sobre o Gandalf tenha surgido aqui, não
haveria como o autor usá-las no artigo).
Sem mais delongas, vamos em frente!
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E agora, o Retorno do Rei:
1) Os raios de luz usados para resgatar Faramir. Não mais poderoso que um
Lightning Bolt, por todo o efeito que teve . Eles [os raios] poderiam ter sido
a magia magia Firebeam descrita, eu creio, no Alarums and Excursions #12.
2) Na Battle of Slag Hills, quando Gandalf poderia talvez ter usado seu
poder ao máximo, ele não fez nada mencionado no livro. Talvez ele tenha usado
Lightning Bolt ou Fireball/ beam, mas ainda assim isso não seria maior que 3º
círculo.
3) Falar “mente-a-mente” com Elrond e
Galadriel. Você não precisa de mais do que ESP para que isso aconteça.
E era isso. Se eu deixei algumas magias de fora, como Gandalf usando um Hold
Portal ou Wizard Lock em Moria, não é intencional. Mas não creio que elas iriam
além do 3º círculo. Se as palavras que usei como “variante” fazem você pensar
que ele deve ter sido no mínimo de 11º nível para pesquisar esses feitiços,
lembre-se que ele tinha seu Cajado, e o anel de Narya the Great, que estava
associado com magias do tipo fogo, de qualquer maneira. Já que ele fora forçado
a usá-los diversas vezes, quando, como eu mostrei, um mago de 5º nível não
precisaria, talvez ele fosse até mesmo abaixo do 5º nível, mas não devo forçar
meu ponto muito além.

Se você pergunta como ele durou tanto lutando contra o Balrog, eu respondo
que isso é culpa do sistema de combate do D&D, então o ponto de que um mago
de 5º nível não agüentaria os golpes de um Balrog de 10º nível não se mantém ao
teste crítico (me refiro somente ao Balrog no D&D, não incluindo as
características do Eldritch Wizardry, já que este tipo de Balrog geralmente é
dito como muito fraco para ser um verdadeiro Balrog de Tolkien. Na verdade,
quando posto em perspectiva ao Balrog que Gandalf enfrentou, o Balrog descrito
por Gygax e Arneson originalmente era de força natural. Até onde sei, o demônio
tipo VI é um demônio tipo VI, não um Balrog).
Quanto ao Sauron: sem entrar em maiores detalhes, Clairvoyance
[Clarividência], ESP [Percepção Extra-Sensorial] e talvez um Wizard’s Eye [Olho
Arcano] avançado, com um alcance muito maior do que descrito no D&D. Mas já
que ele tinha o Palantir, talvez ele tenha deixado a coisa fazer a maior parte
do trabalho por ele, e seu “Olho Vermelho”. Se você vai ser maldoso, deixe-o
ter Control Weather [Controlar o Clima], que faz dele 12º nível. Ainda nada
espetacular, já que existem aqueles que acreditam que Sauron era de 75º nível
ou algo assim.
Então como conciliarmos a nossa intuição com fatos puros? Bom, para começar,
como dei a dica acima, o universo de LOTR era fraco em magia. É fácil de
presumir que tinha um “DM muito durão” que dava experiência tão devagar que
levaria uns 2000 anos para um pseudo-anjo chegar ao 5º nível, e uns 6000 anos
para EHP [?] alcançar o 12º. Mas ainda assim é inquietante. Eu preferiria
culpar a escala que usamos: o sistema de magias do D&D.
Me parece mais plausível que Gygax e Arneson tenham se enganado em relação
aos níveis das magias. Então o que fazer? Mudar o sistema de magias, o sistema
de experiência ou o nível das magias, ou todas as opções acima? Qual é a sua
resposta?
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E aí, o que acharam do artigo? No mínimo polêmico na minha opinião! Desde
já, agardeço ao pessoal pelo apoio e participação aqui no Vorpal. Imagino que a
revista tenha publicado algumas cartas em resposta ao artigo. Se tiver algo,
posso trazer pra cá também.